Quimera
07.04.18 a 04.05.18

Curadoria:
Fernando Ticoulat
Quimera
Substantivo feminino
Monstro mitológico com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de serpente.
Combinação heterogênea ou incongruente de elementos diversos.
fig. produto da imaginação, sem possibilidade de realizar-se; absurdo, fantasia, utopia.
A partir da palavra-síntese quimera, esta exposição apresenta um recorte da produção recente da artista Fernanda Feher. Sua obra, marcada por um marcante vocabulário próprio, nos transporta para um cotidiano poético, um mundo próprio, irreal e repleto de desejos, ilusões e paisagens impossíveis carregadas de significados.
Suas inspirações são os acontecimentos da vida e seus atravessamentos extraordinários. Em sua paleta exuberante, observamos uma harmonia entre resíduos autobiográficos e referências a simbologias contemporâneas. São sentimentos e emoções sinceros traduzidos em uma narrativa pictórica afetiva, de estilo onírico com uma pegada surreal. Na superfície, vemos uma fusão de técnicas como desenho, pintura e colagem a partir de materiais nobres, como tinta a óleo, e outros nem tanto, como selinhos infantis e glitter. O resultado é um sincretismo de imagens dotado de realismo fantástico.
Tudo aquilo que poderia ser aborrecido no comezinho da vida vulgar nos é novamente revelado por um olhar que lhes confere maravilhamento, primor, fantasia e finalmente vida. São como cartões postais do seu eu interior no qual os zumbis da nossa contemporaneidade pós-moderna renascem como figuras insufladas de vigorosa potência. No hiato entre a fabulação de sua intimidade e sua prática de pintura, equilibra-se num mesmo plano uma delicada combinação heterogênea e incongruente de elementos diversos. Para nós, espectadores, fica implícito o convite de identificar nossos próprios devaneios







